Retina e injeções intravítreas
As injeções intravítreas mudaram o prognóstico das principais doenças da mácula. Com diagnóstico precoce e acompanhamento regular, é possível estabilizar e, muitas vezes, recuperar parte da visão.
O que são as injeções intravítreas
A injeção intravítrea leva o medicamento diretamente para o interior do olho, na cavidade vítrea, onde ele age sobre a retina em concentração adequada e com mínima exposição do restante do organismo. O procedimento é feito em ambiente estéril, com anestesia por colírio e antissepsia rigorosa, e dura poucos segundos. O paciente vai para casa logo em seguida.
Como é a aplicação, passo a passo
- • Conferência do olho a ser tratado e medida da visão.
- • Anestesia com colírio e limpeza da pele e da superfície do olho com antisséptico.
- • Posicionamento de um pequeno afastador para manter as pálpebras abertas.
- • Aplicação do medicamento com agulha muito fina, na parte branca do olho, em poucos segundos.
- • Verificação da visão e orientações sobre colírios e sinais de alerta.
Todo o processo leva cerca de 15 minutos, e a maior parte do tempo é dedicada ao preparo e à assepsia.
Medicamentos utilizados
Antiangiogênicos (anti-VEGF)
O VEGF é uma substância que estimula o crescimento de vasos anormais e o vazamento de líquido na retina. Os antiangiogênicos bloqueiam essa ação, secam a retina e controlam a doença. Existem diferentes medicações, com durações de efeito distintas, e a escolha considera o diagnóstico, a resposta prévia e a cobertura do plano de saúde.
Implantes de corticoide
Os implantes de corticoide de liberação prolongada atuam por vários meses e têm forte efeito anti-inflamatório. São indicados em casos selecionados de edema macular, especialmente quando a resposta ao anti-VEGF é insuficiente, em pacientes que já fizeram cirurgia de catarata ou quando é desejável reduzir a frequência das aplicações. Exigem monitoramento da pressão intraocular.
Doenças tratadas
Tratamento de Degeneração Macular (DMRI) →
Na forma úmida da degeneração macular relacionada à idade, vasos anormais crescem sob a retina e causam distorção e perda da visão central. O anti-VEGF é o tratamento de referência e deve ser iniciado o quanto antes.
Tratamento de Retinopatia Diabética →
Na retinopatia diabética, as injeções tratam o edema macular diabético, a principal causa de baixa visão em pacientes com diabetes, e também ajudam a controlar as formas proliferativas, em conjunto com o laser.
Oclusões Venosas da Retina (OVCR/ORVR) →
Nas oclusões da veia central e de ramo venoso, o edema macular é tratado com anti-VEGF ou implante de corticoide, enquanto a investigação clínica dos fatores de risco é feita em paralelo.
Acompanhamento guiado por OCT
A tomografia de coerência óptica (OCT) é realizada nas consultas de controle e mostra, em micrômetros, se ainda há líquido na retina. Com essa informação, o intervalo entre as injeções é personalizado no esquema conhecido como "tratar e estender": quando a retina está seca, os intervalos são ampliados; quando o líquido retorna, são encurtados. Assim, cada paciente recebe o número de aplicações de que realmente precisa.
Fellowship em Retina e Vítreo no Hospital de Olhos do Paraná, com estágio internacional no Moorfields Eye Hospital, em Londres.
Perguntas frequentes
A injeção no olho dói?
A maioria dos pacientes relata apenas uma sensação de pressão. O olho é anestesiado com colírio, e a aplicação leva poucos segundos.
Quantas injeções vou precisar?
Depende da doença e da resposta de cada olho. Em geral, o tratamento começa com aplicações mensais, e depois os intervalos são ajustados conforme a OCT.
Quais cuidados devo ter após a aplicação?
Usar os colírios orientados, evitar coçar o olho e não entrar em piscina ou mar por alguns dias. Dor intensa, vermelhidão crescente ou piora da visão devem ser comunicadas imediatamente.
Posso trabalhar no dia seguinte?
Sim, na maioria dos casos. É comum o olho ficar um pouco vermelho no local da aplicação, o que desaparece em alguns dias.
As injeções curam a doença?
Elas controlam a atividade da doença e preservam a visão. Doenças como a DMRI úmida e o edema diabético são crônicas e exigem acompanhamento contínuo.